Job hopper no Brasil não tem um sinônimo exato, e significaria um trabalhador "peteca", quando se pula de um emprego a outro, como um saltimbanco, um acrobata, um "saltabecca" em italiano. Se engana quem pensa que se trata de um termo pejorativo, algo que possa dar uma conotação negativa ao emprego, como algo instável. E a este ponto é melhor mudar de idéia. Os job hoppers assumem cargos intelectualizados, tem alta performance no trabalho, são fiéis, e mais maduros emocionalmente. Se você continua fazendo o mesmo trabalho durante anos, é difícil que novas mudanças aconteçam rapidamente. Seu cérebro geralmente se acomoda, e não se preocupa em criar estratégias, em planejar novas ações, e tende a permanecer inerte. Se ao invés você muda de emprego, procura outra empresa, buscando por uma nova experiência, você está sempre se desafiando e a chance de adquirir mais conhecimento aumenta. É verdade que este tipo de atitude se refere principalmente a um cargo administrativo, que exige um knowhow amplo, e também se aplica à inteligência emocional. Quanto mais a pessoa experienciar hierarquias diferentes, e quanto mais ela se distanciar dos vícios de um escritório, melhor irá entender sobre o comportamento das pessoas. No Brasil, os contratos de trabalho em geral proporcionam direitos, mas não garantem estabilidade. Desta forma, pensar em fazer sempre a mesma coisa não vai garantir que você se mantenha empregado. O importante é acreditar no que se faz, fazendo bem feito. Isto sim pode garantir estabilidade.
No post anterior, se falou de social network, e da sua importância nas nossas vidas, seja a nível pessoal que profissional. Criar uma rede de contatos, nos dias atuais, é pensar com agilidade buscando ampliar as opções de trabalho através do conhecimento de pessoas-chave. Quanto mais empregos você tiver passado na sua vida, maior será a sua network, e mais fácil será encontrar uma outra oportunidade. Pessoas que trabalham em diferentes companhias têm uma rede de conhecidos mais ampla com relação a pessoas que estiveram sempre no mesmo emprego. Um job hopper estará sempre procurando se esforçar ao máximo porque ele sabe que de um momento a outro poderá perder seu emprego; e caso isto aconteça, a sua dedicação anterior servirá para as oportunidades posteriores, se tornará cada vez mais fácil encontrar outro emprego. Se você colocar VALOR àquilo que faz, certamente será reconhecido, se não for pela empresa atual, será pela futura. E isto se refletirá na sua performance, terá destaque entre os outros como uma pessoa mais produtiva e mais determinada. Seguindo o mesmo raciocínio, dar valor a um emprego certamente colabora para um grupo de trabalho mais unido e forte. A cada dia você tentará conquistar seus colegas e seu chefe, porque isto servirá para deixar uma boa impressão a todos, ao contrário daquele que permanece anos na mesma ocupação, este sim deixará somente a primeira impressão. O velho ditado não falha, assim como o fato que ser humilde nos ajuda a aceitar as mudanças, conscientes de que fizemos sempre o melhor.
Interessante que na medicina esta reflexão assume uma direção oposta. A sociedade impõe o pensamento de que um médico é um profissional engessado, muito pouco flexível, e que deve ser modelo de conservadorismo. Deve então fazer o mesmo trabalho durante toda a vida, mantendo os mesmo padrões de atendimento, a mesma abordagem, a mesma rotina (me deu até sono só em pensar). É possível que o médico, assim como outros profissionais liberais, do momento em que adquirem autonomia, mais facilmente se encaminham à monotonia, já que não existirá competição com outro colega, e não há risco de perder o emprego. Uma volta sendo médico autônoma, as regras são criadas pelo próprio trabalhador.
Na Itália supreendentemente existe uma forma de contrato de trabalho chamada a tempo indeterminato que em português se entende com o mesmo significado. Isto é, uma pessoa é contratada por uma empresa, e além dos direitos que recebe como trabalhador, ela terá o privilégio de garantia do emprego. Nasce e morre aí, assim de modo fúnebre, porque é esta a impressão que dá. E mais surpreendentemente ainda é que é o trabalho mais procurado e almejado por todos. Assinar um contrato de trabalho a tempo indeterminado é motivo de festa e se torna uma honra. Não é de surpreender porém que este tipo de contrato nos últimos anos esteja em extinção. A crise econômica italiana obrigou o conservador mercado de trabalho a modificar-se, a se tornar flexível, dando entrada a contratos temporários, de termpo indeterminado. Certamente esta mudança está sendo mal aceita pelo povo italiano, e motivo de discussões intermináveis, "e agora? como se faz para pagar um mutuo (financiamento de um imóvel, carro, bens em geral)", "como faço a ter filhos sem saber que futuro posso dar a eles?", "terei que me contentar com um trabalho mensal ou anual?", e tantas outras perguntas que me deixaram um tanto perplexa. Afinal, qual é o modelo de contrato correto?
Podemos ser job hoppers, life style hoppers, hobby hoppers, o que realmente interessa é que a cada ação executada se possa dar o grau máximo de dedicação, assim deixaremos sempre uma boa impressão. Esperar por um contrato de trabalho vitalicio só vai nos engessar ainda mais, voltando ao conservadorismo e perdendo a flexibilidade profissional, a criatividade, e o conhecimento amplo. Acredito realmente que o mix italobrasileiro me deu a possibilidade de analisar a situação diferentemente da maior parte dos meus colegas italianos, e assim posso encarar a atual crise de modo otimista, usando a criatividade que nós médicos brasileiros desenvolvemos com o passar do anos, sempre prontos para novas experiências. Esperaremos pelas cenas dos próximos capítulos, quem sabe como um future hopper.

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