- Tem algum médico no avião? É uma emergência, por favor identifique-se imediatamente na cabine da equipe de bordo.
Eu já passei por três episódios como este, e no primeiro deles era um avião da TAM voando pro Brasil após a minha primeira missão com MSF no Sudão do Sul. Quando aterrissamos em Guarulhos, passageiros me chamaram na fila da alfândega: é você a médica que nos salvou de um pouso forçado no meio do Atlântico? - Fiz que sim. “Nossa, isso sim que é um médico sem fronteiras”. Sorri - Você tem razão, sou uma médica sem fronteiras.
Nasci em Bento Gonçalves, antes mesmo de chegar à sala de parto, como acontece com grande parte dos bebês africanos e paquistaneses. A minha pressa fez minha mãe sofrer menos, foi assim pluft e eu estava lá pronta pro mundo. Até meus 30 anos, aquele mundo era suficiente, primeiro infância saudável brincando de esconder no beco de casa com os vizinhos, depois estudante secchiona como diz a italianada, e nada muito além do normal. Após treze anos de uma vida universitária e andanças médicas na grande Porto Alegre, resolvi repatriar à colônia querida. No hospital Tacchini e pela cidade reencontrei ex-colegas de colégio, e amigos e conhecidos eram agora também pacientes. Durante três anos me senti acolhida, de volta às raízes, desintoxicada do caos da capital, atraída pelo ar puro da serra, e imersa na medicina de cada dia. O telefone parava de tocar à noite quando eu não estava de plantão. Na verdade, ainda tocava (menos), dessa vez eram as amigas parceiras. Sim, como a maioria das mulheres da serra gaúcha, eu provei que era forte! Até que chegou um dia em que o ambiente familiar, o sotaque gringo, o ar puro da colônia, a rotina médica, e as festas faziam parte de um mundo pequeno e sufocante. Demorei 30 anos para sair com pressa de novo e atravessar a primeira fronteira. Em um mês estava em Milão, sentada em um auditório com outros tantos estrangeiros candidatos ao processo de reconhecimento do diploma médico. Me senti pequena, e desde então meu mundo começou a ficar cada vez maior.
Dois anos na Itália foram suficientes pra receber o canudo italiano. E o que parecia ser igual em todos os lugares, agora era algo novo e exigia adaptação e paciência. Se a medicina fosse somente observar, escutar, examinar e tratar o paciente, seria fácil. As normas do Brasil não são as mesmas da Itália, muitas doenças infecciosas no Brasil nem existem na Europa, o que não é prioridade pra nós é emergência pra eles e assim por diante. A essência de ser médico não muda jamais, o que muda são as circunstâncias. Seria mais fácil se as diferenças nos aproximassem ao invés de nos afastar. E seria mais interessante se nós médicos pudéssemos sempre tratar o paciente como um todo e não somente a sua doença e as implicações financeiras e legais a ela subjugadas. A minha medicina se tornou então ítalo-brasileira, a experiência precedente me deu a segurança que muito médico italiano demora quase uma vida pra obter. Na real, era a combinação perfeita entre a teoria consolidada italiana e a prática clínica aprofundada brasileira. Mas o mercado de trabalho na Itália andava meio congestionado tempo atrás, até mesmo para os médicos, e uma experiência no mundo da indústria farmacêutica, mesmo que breve, me fez sentir muito mais pequena. A vantagem de ter um bom salário em plena crise econômica italiana me trouxe a desvantagem de não ser mais médico em essência. De um dia pro outro virei executiva, tinha carro, gasolina, refeições e benefícios pagos pela empresa, gerenciava meus horários, sem plantões, e fins de semana livres. Parecia uma vida perfeita. Não existe dinheiro no mundo que pague a autonomia e o poder de decisão no trabalho. Eu queria de volta meus pacientes, as doenças, o cheiro de hospital, a adrenalina das emergências... Eu queria de volta a minha essência. Então entendi que as andanças dos últimos anos tinham me guiado pra um caminho diverso. O que antes parecia inatingível foi alcançado. E por que não provar algo mais, e por que não partir para um mundo sem fronteiras?
Pedi demissão do meu trabalho “perfeito” com meus colegas dizendo que eu era louca em deixar pra trás algo sem ter nenhuma certeza de futuro. Entreguei uma bela casa alugada na região dos Pré-Alpes Trevisanos (de onde os Buffon vieram), encaixotei tudo, deixei num galpão de uma família de amigos, e fui a Roma fazer uma entrevista com o Médico sem Fronteiras (MSF). A sede italiana fica muito próxima à estação Roma Termini, e bastaram poucos metros pra eu chegar no escritório do MSF. Por tudo se veem cartazes e fotografias de equipes médicas nas mais diferentes missões: guerra, catástrofe natural, conflito étnico, epidemia, carência e miséria. Era melhor não criar expectativas para não me desiludir demais, mas aquele ambiente era tão intrigante que era impossível não ficar ansiosa. O processo de recrutamento é dividido em uma prova de simulação individual e outra em grupo. Recebi um dossiê repleto de documentos fictícios que simulavam uma catástrofe natural em uma área remota da África. Apresentei minha análise, discutimos as estratégias em grupo e por fim tive o teste da língua, no caso poderia escolher inglês ou francês. Meu inglês estava bem básico mesmo, costumava dizer que com a minha permanência na Itália, meu cérebro tinha hipertrofiado pra língua italiana e atrofiado pro resto. Mas a atrofia não foi suficiente pra me reprovar. Uma semana após recebi a ligação do coordenador médico que dizia que meu perfil se adaptava à MSF, e em poucos dias eu já tinha uma nova missão na minha vida – trabalhar como médico num campo de refugiados no Sudão do Sul, país mais jovem do mundo. Em três semanas, após uma carga de vacinas, visto na mão e entrevista preparatória em Roma, eu parti pela primeira vez pra África.
Juba è a capital do Sudão do Sul e local de chegada de estrangeiros investidores, operadores humanitários, empregados de multinacionais ou ONGs. Ao sair do aeroporto, pela primeira vez me deparei com aquele adesivo no-gun grudado no vidro do carro do MSF. Até que não se está próximo do perigo, tudo parece parte de uma fantasia. Bastaram poucos minutos pra cair na real. Homens armados, civis ou militares, fazem parte do cenário de Juba. Mas o projeto onde eu andava ficava a duas horas de avião da capital, em um campo de refugiados – Doro. Nativos que falam a língua Maban dividem o espaço com refugiados de uma zona próxima ao Rio Nilo no nordeste do país, onde sucessivos bombardeamentos e ofensivas militares sudaneses têm ocorrido desde que o país se tornou independente em 2011. O país é rico em petróleo mas depende dos países vizinhos para exportação e refinamento. Na luta pelo domínio das zonas ricas em petróleo, sudaneses do sul se tornam vítimas do conflito e eternos refugiados. Em Doro, MSF suporta um hospital e três unidades básicas de saúde, e mais de 300 funcionários, entre eles grande parte refugiados. Em uma da noites que eu estava de plantão, parei pra conversar com os assistentes de enfermagem. Desenhei um mapa mundi e mostrei o Brasil, a Itália e o Sudão do Sul. Se torna difícil falar sobre distância a alguém que usa horas ou dias caminhando a pé como medida de referência. Grande parte das famílias agora vivendo em Doro teve que fugir às pressas e deixar pra trás moradia, animais de criação, pertences e família. Os refugiados são proibidos de cultivar qualquer alimento, e as terras onde vivem são propriedade dos nativos. Estes vivem em tukuls africanos construídos de barro e palha, enquanto os refugiados se abrigam debaixo de tendas de lona doadas pela ONU/Unicef. Durante a estação das chuvas, tudo fica alagado e as condições de vida se tornam ainda mais precárias. Além de assistência médica, MSF juntamente a outras ONGs e ONU fornece água potável, rede básica de saneamento e comida à população. O país tem altas taxas de mortalidade infantil, em grande parte resultado da desnutrição aguda e crônica. Crianças morrem de inanição, algumas desenvolvem um tipo de desnutrição, o marasmo, quando o corpo já consumiu todas as reservas de energia, e se vê somente pele e ossos. Nessa fase, existe inapetência e anorexia, e a criança precisa ser internada para receber um tipo especial de leite. MSF possui um programa nutricional muito bem estruturado, implementado em diversos países, que garante redução na taxa de mortalidade infantil secundária à desnutrição. Campanhas de vacinação são também realizadas nas comunidades e milhares de crianças recebem vacina contra doenças infecciosas e letais como sarampo e poliomielite.
Durante 5 meses de missão em Doro senti um turbilhão de novas sensações e me adaptei à vida no campo de refugiados. A base do MSF foi construída seguindo o padrão de vida dos nativos. Cada expatriado vive em um pequeno tukul, com espaço para uma cama artesanal de vime, cadeira e cabeceira. Os pertences ficam dentro da mala porque não tem guarda-roupa. As janelas são abertas e somente cobertas por telas pra evitar a entrada dos mosquitos e outros animais. Na estação das chuvas, tudo fica alagado e caminhamos no barro, daí o tukul está sempre sujo. Quando é seca, a poeira se espalha e se pode até senti-la no ar inspirado. À noite é o momento em que os animais e insetos tomam conta, sapos por toda a parte (quando cheguei eram pretos e pequenos, e quando saí de Doro já tinham crescido bastante), lagartixas e lagartos, escorpiões, cobras, e ratos. Se sente mesmo em meio à selva. Quando a lua aparece é hora de dormir, cada um no seu tukul, escutando a natureza lá fora, lendo um livro até que o sono chegue e nos dê energia para o dia seguinte. A comida no campo é bastante racionada, uma vez por semana recebemos a remessa da capital, e é então a oportunidade de comer algumas frutas (banana, maça, laranja), porque depois de um ou dois dias terminam, e então fica só o gosto na boca. Temos cozinheiras nativas, que preparam almoço e janta. Tem sempre arroz, batata e algum tipo de carne. Eu não como carne vermelha, então ficava sempre na espera do frango, que era importado do Brasil. De vez em quando tínhamos pizza, um dos nossos coordenadores que era italiano ensinou as cozinheiras a preparar pizza no forno de barro. Mesmo sem nenhuma cobertura especial, era deliciosa. Às vezes também acontecia de chegar tarde do hospital, depois de um dia corrido, e não encontrar mais nada pra comer. Éramos um grupo grande, 25-30 pessoas, e ficava difícil saber quem estava ainda por vir. Sobrava então um mingau de aveia com leite. Emagreci uns 3 Kg, minha mãe era preocupada quando me via nas fotos, enquanto minha irmã dizia que Doro era um spa (risos). Higiene era um pouco precária vivendo naquelas condições, e seguido alguém estava doente com diarreia e vômito. Eu era a médica responsável pela saúde dos expatriados, então era frequente ser chamada pelos colegas pra examinar alguém doente no tukul. Eu sempre testava pra malária, mesmo que a maioria usasse profilaxia. A incidência de malária em Doro é alta, quase 50% da população desenvolve a doença e muitos casos com complicações graves, como malária cerebral, quando o paciente desenvolve coma e convulsões repetidas. Se tratados em tempo, recuperam rapidamente e voltam ao normal. Na nossa base também não tinha banheiro e ducha, que eram substituídos pelas latrinas e banho de torneira. Foi pesado me acostumar com o cheiro e as moscas da latrina e com os sapos e grilos dentro da área de banho. Mas depois de algumas semanas, já era parte da rotina.
Meu trabalho na clínica era sempre intenso, alta rotatividade de pacientes, felizmente grande parte recebia alta melhorado. Aprendi a tratar malária, desnutrição grave, leishmaniose visceral, doenças de recém-nascido e hepatite E. Perdi muitos pacientes... as crianças me faziam sempre chorar. Médico nunca se acostuma com a morte de pacientes porque eles são a razão do nosso trabalho. Se a doença é mais forte então procuramos entender o ciclo da vida. Se os recursos são limitados, então imaginamos como poderia ser tratar o mesmo paciente no nosso país. Talvez ele teria sobrevivido. O que mais vale a pena no nosso trabalho é ver vidas surgirem ou ressurgirem, é o que compensa em parte as perdas.
Uma manhã durante o round na sala de internados um dos assistentes me chama dizendo que sua filha tinha recém nascido na nossa maternidade. Me chamou para vê-la, e pediu se poderia dar meu nome à ela. A Rosana de Doro era uma pintura, como tantos outros bebês e crianças africanas. Aliás nunca tinha visto olhares tão brilhantes e sorrisos tão sinceros como vi em Doro. O mais difícil foi dizer adeus a todos eles. Faltando 5 semanas para o fim da missão eu tive que desistir. Estava exausta, sentia que meu corpo já não tinha a energia de antes. Tive que me despedir sabendo que provavelmente nunca mais voltaria àquele lugar. Me confortava saber que apesar de toda a carência, sem perspectivas de futuro melhor, ainda existia um povo feliz que não se queixava e que continuava a viver dia após dia sorrindo. Voltei pra casa na Itália e levei algumas semanas para retomar a vida ao estilo europeu.
Após uma pausa de 3 meses, com direito à retorno ao Brasil pra recarregar as baterias, fui chamada pra minha segunda missão com MSF. Recebi um mail do coordenador italiano com o assunto Karachi/Pakistan. Levei alguns minutos até assimilar a proposta. Recebi em seguida os documentos do projeto, e titubeei ao ler sobre os riscos inerentes à missão como ataque de bomba, sequestro e bala perdida. Karachi é uma das maiores metrópoles do mundo, abrigando 21 milhões de habitantes. Mas pra quem já viveu no Brasil e presenciou cenas de violência aquele mundo não me assustava. Aceitei a segunda missão. Ao chegar fui imediatamente atraída pelas cores de hijab e shalwar kameez que se viam pelas ruas de Karachi, usados pelas paquistanesas ou expostos nas vitrines. Hijab significa em árabe se tornar invisível, esconder, cobrir, e é um termo geralmente utilizado em referência ao véu islâmico. No Paquistão se encontram diferentes estilos, é possível ver mulheres vestidas com roupas ocidentais, embora grande parte use o shalwar kameez que é uma conjunto de camisa e calça que cobrem grande parte do corpo. Quanto mais extremistas as mulheres muçulmanas, mais cobertas elas são. Karachi é a cidade onde se pode ver uma loja do Mc Donald’s no ponto mais estratégico, e ao mesmo tempo cartazes anti- ocidente, USA, anti-Charlie ao redor. MSF tem o projeto no maior kachi- abadi (favela) de Karachi – Machar Colony, com mais de 400 mil pessoas que vivem em modo ilegal, que vieram de outras regiões do Paquistão, Índia ou Afeganistão por causa de desastres naturais ou como consequência dos conflitos étnicos e religiosos, e que não têm acesso à nenhum serviço de assistência básica porque são consideradas ilegais. Na clínica de MSF os habitantes de Machar Colony recebem assistência primária e de emergência, e recentemente a clínica oferece cobertura completa aos pacientes portadores de hepatite C com um moderno esquema de terapia por via oral que aumenta as chances de cura.
Após 4 meses em Karachi, MSF me chamou para outro projeto no Paquistão situado ao norte, na fronteira com Afeganistão. Trabalhei no hospital distrital do Lower Dir, na cidade de Timergara, por 8 meses como supervisora médica do pronto socorro. MSF suporta alguns departamentos junto com Ministério da Saúde paquistanês, e o pronto socorro é o maior deles. Tive 12 médicos pra supervisionar, com apenas uma médica paquistanesa entre eles. Foi um desafio fazê-los me aceitar como mulher supervisora, porque naquela sociedade homens estão sempre a um nível superior e as oportunidades de trabalho são muito reduzidas já que o acesso das mulheres à educação é difusamente limitado. Naquele pronto socorro vi meninas adolescentes morrerem por envenenamento em poucas horas com falência de múltiplos órgãos após tentativa de suicídio. As que sobreviviam contavam que desejavam morrer porque a família não as permitia de casar com quem amavam, e as obrigavam a casar geralmente com um parente, ou porque demonstravam interesse em frequentar a escola. Era o único modo que elas encontravam de acabar com o sofrimento que não poderiam abandonar de outra forma que não o suicídio. Os homens também tinham casamentos arranjados, mas encontravam outras maneiras de lidar com a repressão.
A presença de estrangeiros no Paquistão é uma ameaça a tantos paquistaneses, especialmente no noroeste, região ocupada pelo exército talibã em 2007. A ordem por lá é não praticar tradições, religião e hábitos vindos do mundo ocidente. Por essa razão, éramos obrigados a viver como pessoas locais, e nós mulheres estrangeiras tínhamos que cobrir o corpo inteiro, deixando somente os olhos e as mãos à vista. Em Timergara, além do hijab e do shalwar kameez vestíamos a dupatta, uma manta que cobre cabeça, ombros, braços, tronco e quadril. A intenção é esconder o máximo possível todas as curvas do corpo feminino, para que os homens não se sintam tentados. Você pode então imaginar como era difícil examinar as mulheres que chegavam doentes no pronto socorro. Os colegas médicos e enfermeiros raramente as tocavam e, se necessário, as enfermeiras eram chamadas para examiná-las quando eu ou a outra médica não fossemos disponíveis. Ainda assim tínhamos que usar as cortinas, e chamar sempre uma outra mulher da família para que fosse presente durante o exame. Tradição que se respeitava mas que muitas vezes atrasava a assistência ao doente. Outro motivo de atraso era quando um paciente precisava ser internado ou transferido a outro hospital e nenhum homem da família fosse presente. Tínhamos que esperar por um deles até que a decisão fosse tomada. Dentro ao hospital e ao redor não se ouviam vozes femininas, e poucas eram as mulheres que circulavam sem a presença de um familiar. É também um costume da região que somente os homens possam sair às compras pela cidade. Realmente aquelas pequenas vilas pareciam habitadas somente por eles, enquanto as mulheres estavam atarefadas com os filhos e a casa. As crianças são pequenos adultos, e de uma coragem impressionante. Poucas choravam no momento de uma sutura ou curativo, e dificilmente sorriam. Aliás, naquele mundo, o sorriso é outro privilégio dos homens. Terminei a missão no Paquistão deixando pra trás amigos, colegas de trabalho e pacientes, pessoas com quem passei um ano da minha vida dividindo rotina, alegrias e tristezas... e chá, sim, porque no Paquistão é impossível que você saia de um lugar sem ser convidado a tomar um chá paquistanês (com leite). A frase de Paul Valéry, um poeta francês, pode resumir o que senti antes de partir: “Enriquecemo-nos das nossas diferenças recíprocas”. Não importa o lugar que se está, a diversidade por si mesma estimula a conhecer, entender e talvez julgar.
Trabalhando com MSF é difícil falar em planos futuros. Assim que uma missão termina se retorna à sede da organização, no meu caso em Roma ou Bruxelas, e se faz um balanço final. Geralmente, a última pergunta da coordenação é se queremos partir de novo. Quando, como e aonde não se sabe. O que eu sei é que precisei passar por algumas etapas da vida pra me conhecer melhor, amadurecer, e então me sentir preparada pra fazer o que estou fazendo agora. De novo, algo que parecia inatingível até pouco tempo atrás. Após uma missão se sente ávido de retornar à casa, encontrar a família e os amigos, de comer a comida de casa, de dormir na nossa cama, e fazer uma boa ducha. É o que farei em breve assim que chegar no Brasil.
