"If you keep doing what you have always done you are going to keep getting what you have always got" - W.L.Bateman

domenica 3 giugno 2012

Bear with us, while we think. (article in portughese)

Bear with us, while we think.
É a frase que consta no manifesto preparado por um grupo di cientistas alemães em 2010, que pode ser lido na íntegra fazendo o download através do site www.slow-science.org. Dr Renan Bonamigo, dermatologista, professor e chefe do Departamento de Dermatologia da UFCSPA, referência durante minha residência médica, enviou há alguns dias um mail comentando de um texto, escrito por Thomaz Wood Jr no site www.cartacapital.com.br. De cara li o nome de um italiano, Carlo Petrini, e então fiquei mais interessada ainda. É então que indo adiante se entende melhor o que seria um tal de movimento chamado Slow Science. A menção ao italiano se faz justamente porque o nome teria raizes de pensamento no movimento Slow Food, quando em 1986 o mesmo formou uma associação contra a abertura da primeira loja McDonald's em Roma, contra a tendência da fast food, e lutando para preservar a cozinha regional e tradicional. O movimento é já consolidado a nível mundial, tanto é que encontrei uma citação usando a imagem acima no site de um cartoonista brasileiro chamado Pablo Mayer! Esse mundo italobrasileiro mi piace.
O manifesto começa esclarecendo que eles, os cientistas, não querem ser mal interpretados, que são a favor da aceleração da ciência no século 21, do fluxo constante de publicações científicas e do impacto que causam, e dos meios de comunicação científica como os blogs por exemplo. But, acrescentam: "A ciência necessita de tempo para pensar, para ler, e para falhar. Nem sempre a ciência sabe o que seria melhor naquele exato momento... A sociedade deveria dar aos cientistas o tempo que eles precisam, e ainda mais importante, os cientistas deveriam ter o tempo que acham ser necessário." O manifesto conclui com a sugestão de filiar-se à Slow Science Academy. Se estiver interessado, faça em modo slow, não precisa ter pressa já que são mais de 100 mil membros em 150 paises.
Fast food and fast science - quick and dirty! A referência à comida tipo McDonald's nos dá a possibilidade de comparar a gordura escorrendo da batata frita e a maionese explodindo de dentro do sanduíche com um trabalho científico feito às pressas cheio de conteúdo inútil (mas atraente) que faz mal à saúde mental e ao conhecimento adquirido. O primeiro sinal do movimento partiu em 1990 com Eugene Garfield, na revista Scientist com o título Fast Science vs. Slow Science, or Slow and Steady Wins the Race. Atualmente, dizia Eugene já na década de 90, os cientistas são citados nos meios de comunicação como seguidores de uma tendência competitiva, de alta velocidade, e que suas descobertas partem de idéias em momentos de brainstorm ou em maneira serendipitous - Eureka! No entanto, grande parte dos cientistas é consciente de uma realidade menos glamourosa daquilo que se pensa. A descoberta ao acaso é exceção, a maioria dos avanços cientificos dependem de pesquisa a longo prazo, em modo persistente e metódico. Analisando os dados publicados dos prêmios Nobel a cientistas, se constata que algumas das mais importante descobertas resultaram de décadas de trabalho. E se não bastasse só o tempo, existe infelizmente a influência pressórica da política e da sociedade na decisão sobre o que é pioritário e o que não é em termos de pesquisa científica. Prova disto são os progressos feitos na terapia da SIDA (= AIDS), que há por trás uma rede bem estruturada de grupos/pacientes que impulsiona os cientistas à descoberta da cura; embora existam tantas outras doenças não preveníveis e alarmantes, como o câncer e a esclerose múltipla, que não mudam incidência ou evolução com campanhas de conscientização e educação básica. A este ponto seria necessário que a comunidade científica fizesse o possível para mudar as falsas expectativas da sociedade em relação a como a ciência é feita em modo geral,  ao o que se pode realmente alcançar, e ao tempo requerido para vencer o desafio. A grande ironia é que Eugene é considerado o pai da bibliometria e do journal impact factor. Continuamos a acreditar que ele tenha tido a melhor das intenções ao criar este tipo de informação, e que más influências vindas posteriormente tenham modificado a intenção inicial do autor.
Do vértice francês (www.slowscience.fr) surge um apelo: "Pesquisadores e professores, nós precisamos com urgência desacelerar! Parar de querer andar cada vez mais rápido." E seguindo esta corrente, outras se aproveitaram do tema e criaram Slow CitySlow Travel, sempre com o intuito de reforçar a supremacia da qualidade sobre a quantidade. Seria então um discurso utópico, impossível de ser seguido e praticado? Utopia é pensar que estaremos a salvo se nossas vidas, além da pesquisa, continuarem em modo Fast, que em breve encontraremos a cura para todas as doenças e as pessoas morrerão de velhice. A realidade nos mostra que a natureza é sábia e que muitas doenças são reflexos do nosso estilo de vida, do ambiente em que vivemos, e da pressa como agimos. Digerindo as informações e vivendo serenamente podemos contribuir com a ciência em todos os aspectos, sem sobrecarregar nossa mente, corpo e o trabalho dos cientistas. Evviva Slow Science!