"If you keep doing what you have always done you are going to keep getting what you have always got" - W.L.Bateman

giovedì 29 marzo 2012

Globalização parcial existe? (article in portughese)


"Então não é mais uma colega, é uma estudante"
Tem alguma coisa errada por aqui, você já parou pra pensar por que um cabeleireiro no Brasil é cabeleireiro em todo o mundo, e por que um médico no Brasil só é médico no Brasil? Encontrou a resposta? Ainda não? Vamos pensar juntos. A palavra profissão é sinônimo de emprego, trabalho, ofício, e significa gênero de trabalho habitual de uma pessoa. Como humanos e Homo Sapiens que somos, temos características físicas particolares, como cor de pele, cabelo e olhos, mas somos iguais na essência, feitos do mesmo tipo de células e produzimos os mesmos hormônios, enzimas e secreções. Raciocinando assim, um cabeleireiro no Brasil pode fazer um corte de cabelo na India, na África, na China, na Antártida... da mesma forma que o faz no Brasil, e o que vai distinguir entre um país e outro serão os traços culturais e as preferências pessoais. Afinal os orientais podem preferir um estilo de corte mais curto, e os ocidentais um longo tradicional, mas a matéria prima é a mesma, e o que muda é a mão-de-obra. É provável que um cabeleireiro indiano tenha mais habilidade com cortes indianos e que leve algum tempo para se adaptar a uma nova técnica feita por brasileiros por exemplo. E vice-versa. Isto é globalização, um processo de integração socio-econômica-cultural-política em todo o mundo.
Estou começando a entender. Então, seguindo o raciocínio, um médico formado no Brasil pode exercer a profissão em qualquer lugar do planeta Terra. (bip) Resposta errada. Mas não somos todos iguais na essência, nossos corpos não funcionam da mesma maneira, as doenças que nos atingem não são iguais com os mesmos vírus, parasitas e bactérias, não usamos os mesmos remédios? Não, médicos e tantos outros profissionais formados são preparados por universidades nos seus paises, e são proibidos de exercer a profissão fora deles (aplausos). Resposta correta.
Então não entendo mais nada (respiração profunda). Recapitulando: se eu optar por entrar na universidade, cursar uma faculdade, e me formar, estarei limitado a exercer minha profissão no meu país. Se sair dele, não sou um profissional formado, e então serei obrigada a encontrar uma profissão que possa ser exercida em ambito mundial. É certamente uma discussão sem sentido. Quanto mais formação acadêmica eu tiver, quanto mais especialista eu me tornar, menos oportunidades terei se sair do meu país. A este ponto, a resolução do problema poderia ser simples: Fique no seu país, por que sair dele?
Porque existe globalização, porque as pessoas têm direito a conhecer outras sociedades, a viver outras culturas, e a exercer a profissão em outros paises; porque podemos ser cidadão do mundo, e ninguém pode nos impedir de trabalhar. Como já dizia Saint-Exupéry, "A grandeza de uma profissão é talvez, antes de tudo, unir os homens: não há senão um verdadeiro luxo e esse é o das relações humanas". Nossa sociedade nos criou barreiras e nos impossibilitou de sair dela como profissionais diplomados, voltamos a ser estudantes e partimos do zero. Temos três opções: 1. Escolher uma profissão que seja globalizada e reconhecida em todo o mundo, 2. Ser um diplomado no país de origem, mas um estudante no exterior obrigado a seguir as etapas de formação exigidas pelo país de escolha, 3. Ser o especialista do especialista, com a condição de sair do país somente a turismo!
Isto é que eu chamo de globalização parcial. Parece uma incongruência, mas é a realidade. E somente quem enfrentou este tipo de problema sabe o quanto é difícil ouvir, depois de anos de estudo e diploma na mão, a frase: "Então não é mais uma colega, é uma estudante".

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